A cidade de Belém, escolhida como sede da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), corre o risco de perder o evento caso o governo federal não solucione os problemas envolvendo a escassez de hospedagens e os altos preços praticados na região. A preocupação foi expressa durante reunião preparatória realizada em Bonn, na Alemanha.
A menos de cinco meses da conferência, ainda não há soluções concretas para os desafios logísticos enfrentados, o que tem gerado críticas por parte de organizações da sociedade civil, que apontam inviabilidade na participação.
Na última quinta-feira (19), durante as negociações climáticas em Bonn, a presidência da COP apresentou uma atualização sobre a infraestrutura de Belém, minimizando os entraves e destacando que a “dimensão simbólica” da realização na Amazônia é mais relevante. A declaração foi publicada pelo portal UOL.
O valor elevado das hospedagens é o principal problema. Para enfrentar essa situação, o governo brasileiro anunciou a oferta de acomodações a partir de 100 dólares por diária, utilizando estruturas federais como a Vila dos Líderes e cabines de navios transatlânticos ancorados na capital paraense.
Moradores de Belém, por sua vez, têm elevado em até dez vezes o valor do aluguel de imóveis para novembro, influenciados por um curso oferecido pelo Sebrae em parceria com o Airbnb.
Segundo o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP 30, a importância do evento na região amazônica é maior que os obstáculos enfrentados. “De qualquer forma, gostaria também de reforçar que a cidade estará especialmente preparada nesse momento. Haverá férias escolares e no serviço público durante o período da COP. Isso também ajudará bastante na questão da circulação etc”, afirmou.
O presidente Lula também manifestou apoio à manutenção de Belém como sede, reforçando o valor simbólico da cidade diante das dificuldades logísticas.
A organização do evento informou ter acionado o Ministério da Justiça e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) para investigar denúncias de preços abusivos, mas sem intenção de intervir diretamente no mercado. “Queremos que a rede hoteleira seja nossa parceira”, declarou o secretário extraordinário da COP 30, Valter Correia.
A proposta é estabelecer valores razoáveis, tomando como base os preços praticados durante o Círio de Nazaré. Caso sejam confirmadas práticas abusivas, os estabelecimentos poderão sofrer sanções legais, como multas ou até suspensão da comercialização de hospedagens.
A Plataforma Oficial de Acomodação será lançada ainda neste mês, com oferta inicial de seis mil leitos, a serem disponibilizados semanalmente.
Para a alimentação dos participantes, foi anunciado um cardápio saudável e diverso, com 30% dos alimentos provenientes da agricultura familiar e da agroecologia, priorizando itens locais de baixa emissão de carbono.
Os visitantes contarão com acesso gratuito ao Sistema Único de Saúde (SUS) em casos de urgência e emergência.
A segurança do evento será reforçada por meio de uma operação integrada, envolvendo sistemas terrestre, aéreo, marítimo e cibernético, que abrangerá tanto as Zonas Azul e Verde quanto toda a Região Metropolitana de Belém.
A partir do próximo mês, participantes credenciados terão isenção de taxas mediante um novo sistema eletrônico. Além disso, já está garantida a ampliação da malha aérea com voos diretos de Lisboa (Portugal), Fort Lauderdale e Miami (Estados Unidos), Caiena (Guiana Francesa) e Paramaribo (Suriname).
No encontro realizado na ONU, o Brasil apresentou o “Roadmap de Baku a Belém”, plano destinado a destravar o financiamento climático global até a realização da COP 30. A proposta, liderada pelo Círculo de Ministros de Finanças da conferência, visa mobilizar 1,3 trilhão de dólares até 2035 para ações de mitigação, adaptação e proteção ambiental, com foco em nações mais vulneráveis à crise climática.
O plano prevê reformas em bancos multilaterais, criação de plataformas nacionais para conectar projetos locais a financiadores internacionais e implementação de regulações ambientais no sistema financeiro. “Queremos um documento crível, claro e acionável, que permita que as decisões das COPs se transformem em políticas concretas”, declarou a embaixadora Tatiana Rosito, do Ministério da Fazenda, em nome do ministro Fernando Haddad.