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Dourados entra em calamidade por chikungunya e inicia vacinação dia 27

Município enfrenta alta de casos, leitos lotados e inicia imunização com restrições

22/04/2026 às 17:00
Por: Redação

A Prefeitura de Dourados, no Mato Grosso do Sul, decretou estado de calamidade pública em saúde devido ao avanço da epidemia de chikungunya no município. Inicialmente restrita à Reserva Indígena de Dourados, a doença passou a ser registrada em diversos bairros urbanos.

 

No dia 20 de março, o prefeito Marçal Filho publicou decreto reconhecendo situação de emergência em saúde pública na cidade. Uma semana depois, um novo decreto foi emitido para declarar emergência em defesa civil nas regiões atingidas por casos da doença.

 

O terceiro decreto municipal, segundo o comunicado oficial, segue diretrizes estabelecidas pelo Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), responsável pela coordenação das ações de combate à epidemia tanto na reserva indígena quanto nas áreas urbanas de Dourados.

 

A prefeitura informou que o cenário epidemiológico local é considerado crítico, com mais de 6.186 casos prováveis de chikungunya. A taxa de positividade do município chegou a 64,9%.

 

Dados do Departamento de Gestão do Complexo Regulador do município demonstram que a capacidade instalada para atendimento hospitalar foi excedida, com taxa de ocupação dos leitos de internação em torno de 110%. O comunicado destaca que não há possibilidade de resposta assistencial adequada até mesmo para casos graves.

 

O decreto que estabelece calamidade pública em saúde tem duração inicial de 90 dias.

 

Vacinação contra chikungunya terá início na próxima semana

A campanha de vacinação contra chikungunya em Dourados está prevista para começar na segunda-feira, dia 27. O município recebeu o primeiro carregamento com doses do imunizante na noite da sexta-feira, 17 de maio.

 

Nos dias 22 e 23 de maio, a prefeitura realiza capacitação dos profissionais de enfermagem, a fim de orientar a população sobre eventuais restrições para a imunização e identificar comorbidades antes da aplicação da dose.

 

De acordo com as regras estabelecidas pelo Ministério da Saúde, a vacina será aplicada apenas em pessoas maiores de 18 anos e menores de 60 anos. A meta da campanha é alcançar 27% dessa população, o que corresponde a aproximadamente 43 mil indivíduos.

 

As restrições para recebimento da vacina incluem:

 

  • Gestantes ou lactantes;
  • Pessoas em uso de medicamentos imunossupressores, como corticóides em altas doses;
  • Pessoas com imunodeficiência congênita;
  • Indivíduos em tratamento de câncer com quimioterapia ou radioterapia;
  • Transplantados de órgão sólido;
  • Transplantados de medula óssea há menos de dois anos;
  • Pessoas com HIV/aids;
  • Pessoas com doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide;
  • Indivíduos com pelo menos duas condições médicas crônicas, incluindo diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmia cardíaca, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, obesidade, doença hepática crônica e câncer, seja em tratamento ou em remissão.

 

Também está vetada a aplicação da vacina em pessoas que tenham recebido diagnóstico de chikungunya nos últimos 30 dias, que apresentem estado febril grave, que tenham recebido outra vacina de vírus atenuado nos 28 dias anteriores ou vacina de vírus inativado nos 14 dias prévios.

 

A expectativa das autoridades locais é que o ritmo de vacinação seja mais lento, visto que cada pessoa do público-alvo passará por avaliação prévia com profissionais de saúde. Na sexta-feira, 24 de maio, as doses serão distribuídas para todas as salas de vacinação de Dourados, inclusive nas unidades de saúde indígena.

 

No feriado de 1º de maio, Dia do Trabalho, está programada ação especial de vacinação no formato drive-thru, que ocorrerá das 8h às 12h no pátio da prefeitura municipal.

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o imunizante contra chikungunya em abril de 2025. A vacinação será realizada de forma estratégica em regiões com risco potencial de transmissão nos anos seguintes, incluindo cerca de 20 municípios de seis estados brasileiros.

 

“A seleção dos municípios considerou desde fatores epidemiológicos, relacionados à potencial ocorrência de casos de chikungunya em regiões onde o vírus já está circulando, até o tamanho populacional dos municípios e a facilidade operacional de se implementar uma nova vacina no sistema local de saúde em um curto prazo”, informou a prefeitura.


 

Estatísticas e evolução da doença na região

Até o dia 20 de maio, Dourados contabilizava 4.972 casos prováveis da doença, dos quais 2.074 tiveram confirmação laboratorial, 1.212 foram descartados e 2.900 permaneciam em investigação. O município registrou oito óbitos por complicações da chikungunya, sendo sete deles de moradores da reserva indígena.

 

Apoio financeiro federal

No final de março, o Ministério da Saúde liberou um repasse emergencial de 900 mil reais destinado ao combate à chikungunya em Dourados. O valor será transferido em parcela única, do Fundo Nacional de Saúde ao fundo municipal de saúde.

 

Segundo comunicado da pasta, os recursos serão direcionados ao reforço das ações de vigilância, controle do mosquito Aedes aegypti, qualificação da assistência e apoio às equipes envolvidas no atendimento à população.

 

Sobre a chikungunya: transmissão e sintomas

A chikungunya é uma doença viral transmitida por fêmeas infectadas de mosquitos do gênero Aedes. No território brasileiro, o principal vetor é o Aedes aegypti.

 

O vírus chegou ao continente americano em 2013, provocando epidemias em diversos países da América Central e nas ilhas do Caribe. No Brasil, a presença da doença foi confirmada em 2014 nos estados do Amapá e da Bahia, e hoje há transmissão registrada em todas as unidades federativas.

 

Em 2023, o Ministério da Saúde apontou uma dispersão territorial significativa do vírus no Brasil, com destaque para estados da Região Sudeste, embora anteriormente a maior incidência houvesse sido detectada no Nordeste.

 

Entre as características clínicas mais comuns da chikungunya estão inchaço e dores articulares incapacitantes, podendo também ser observadas manifestações extra-articulares. Nos quadros graves da doença, há necessidade de internação hospitalar e risco de evolução para óbito.

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