Paulo Henrique Costa, que já ocupou a presidência do Banco de Brasília (BRB), é apontado pela Polícia Federal como participante de um esquema de propina que teria alcançado o valor de 146,5 milhões de reais. A suspeita é de que o acordo fraudulento tenha sido estabelecido juntamente com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Essa informação foi registrada na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por autorizar a prisão de Costa na mais recente fase da Operação Compliance.
De acordo com as investigações, o montante acordado como propina seria repassado por meio da transferência de quatro imóveis de alto padrão localizados em São Paulo e outros dois em Brasília. A Polícia Federal revelou que, até o momento, rastreou pagamentos somando pelo menos 74 milhões de reais.
Os investigadores afirmam que o pagamento do restante da propina foi interrompido quando Vorcaro tomou conhecimento da abertura de um procedimento investigativo sigiloso na Polícia Federal, que tinha como foco justamente os repasses feitos a Costa. Consta nos autos que, após receber essa informação, o banqueiro teria decidido paralisar os pagamentos.
Segundo a Polícia Federal, Vorcaro teria recebido, em 24 de junho de 2025, por meio do aplicativo WhatsApp e através de seu funcionário Felipe Mourão, uma cópia da investigação. Embora a interrupção dos pagamentos tenha ocorrido em maio, o ministro André Mendonça considerou plausível a tese de que Vorcaro já estava ciente da apuração antes mesmo de receber as cópias do processo investigativo.
Ainda segundo a decisão judicial, além de Paulo Henrique Costa, foi detido o advogado Daniel Monteiro, identificado como intermediário e responsável por receber, pessoalmente, um total de 86,1 milhões de reais provenientes do esquema ilícito.
Os fundamentos para a decretação da prisão preventiva dos dois investigados abarcaram a continuidade dos processos de ocultação de patrimônio, o risco de impacto negativo sobre a produção de provas, a possibilidade de reativação da estrutura financeira e jurídica do esquema, assim como a necessidade de preservar a ordem pública, a ordem econômica e garantir a eficácia da persecução penal, conforme registrado pelo ministro Mendonça.
A investigação aponta que, como contrapartida à propina, Paulo Henrique Costa utilizaria recursos do BRB, instituição financeira vinculada ao governo do Distrito Federal, para adquirir carteiras de crédito fictícias do Banco Master.
Até o presente momento, as apurações indicam que ao menos 12,2 bilhões de reais em carteiras consideradas ruins foram adquiridas, porém o valor exato ainda está pendente de confirmação por parte do BRB e pode ser superior ao apurado até agora.
Desde o início da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal investiga o funcionamento de um aparato criminoso criado com o objetivo de viabilizar a criação, comercialização e transferência de carteiras de crédito forjadas do Banco Master para o BRB.
No momento em que Costa foi detido, em sua residência, o advogado Cleber Lopes, responsável por sua defesa, declarou que não considera válida a hipótese de recebimento de propina atribuída ao cliente.
“A defesa considera que o Paulo Henrique não representa nenhum perigo para a instrução ou para aplicação da lei penal. Não há notícia de que ele tenha praticado qualquer ato que pudesse atentar contra a instrução criminal”, afirmou o defensor.
O texto foi atualizado às 11h47 para incluir a manifestação apresentada pela defesa de Paulo Henrique Costa.