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Lula defende reciprocidade após Brasil retirar credencial de agente dos EUA

Presidente justifica decisão de retirar credencial de agente dos EUA após medida similar tomada por Washington e anuncia reforço de mil agentes para a PF

23/04/2026 às 11:10
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio à decisão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, referente à retirada das credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da Polícia Federal em Brasília.

 

Lula afirmou que essa medida segue o princípio da reciprocidade entre países, após o governo norte-americano determinar a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da Polícia Federal, dos Estados Unidos. O delegado Marcelo de Carvalho havia participado da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

"Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade", declarou Lula em vídeo divulgado nas redes sociais, ao lado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.


 

O Ministério das Relações Exteriores anunciou, por meio de nota publicada na rede X, que a representante da embaixada dos Estados Unidos foi informada no dia anterior sobre a aplicação do princípio da reciprocidade pelo Brasil. O comunicado do Ministério destacou que a decisão foi tomada em razão de uma medida sumária contra o agente da Polícia Federal, sem que houvesse qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo prévia, conforme estabelecido no acordo bilateral de cooperação policial.

 

O órgão afirmou ainda que a retirada da credencial não seguiu práticas diplomáticas adequadas entre países com longa relação amistosa, como Brasil e Estados Unidos, que mantêm mais de duzentos anos de diálogo. O comunicado ressaltou que o agente brasileiro atuava amparado por um memorando de entendimento firmado entre os dois governos, cujo objetivo é facilitar o intercâmbio de oficiais de ligação no setor de segurança pública.

 

Contexto da decisão e caso Ramagem

 

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou, na segunda-feira, dia 20, que solicitou a saída de um "funcionário brasileiro" de seu território. Apesar de o comunicado não mencionar nomes, a nota indicava que se tratava do delegado Marcelo de Carvalho, da Polícia Federal, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal no ano anterior a uma pena de dezesseis anos de prisão, por participação em trama golpista. Após a condenação, Ramagem perdeu o mandato e deixou o Brasil, estabelecendo residência nos Estados Unidos para evitar o cumprimento da pena.

 

O ministro Alexandre de Moraes, em dezembro de 2025, determinou que fosse enviado um pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

 

Em abril, a Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem, realizada pelo serviço de imigração norte-americano, foi resultado de uma cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos. De acordo com a corporação, o ex-deputado foi detido em Orlando e é considerado foragido pela Justiça brasileira pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.

 

Reforço policial anunciado pelo governo federal

 

Durante o vídeo publicado nas redes sociais, Lula também anunciou a contratação de mil novos agentes para a Polícia Federal. O presidente informou que esses servidores irão fortalecer as atividades da corporação em portos, aeroportos e regiões de fronteira em todo o território nacional. Segundo ele, essa medida faz parte de um compromisso governamental voltado para o enfrentamento do crime organizado.

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