O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou oposição à possibilidade de a África do Sul ser impedida de participar do G20, após o governo dos Estados Unidos ameaçar vetar a presença do país africano no grupo composto pelas maiores economias do mundo e pela União Europeia.
Durante uma entrevista concedida em Hanôver, na Alemanha, Lula declarou que conversou com Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, sobre a situação. Segundo Lula, afirmou ao líder sul-africano que os Estados Unidos não possuem autoridade para excluir um membro fundador do G20 das reuniões do bloco. Lula reiterou que Ramaphosa deveria comparecer ao encontro do grupo independentemente da posição dos Estados Unidos.
"Eu disse ao Ramaphosa [presidente da África do Sul], esta semana, que os Estados Unidos não têm o direito de proibir um membro fundador do G20 de participar do bloco. Eu disse ao Ramaphosa que ele deve comparecer ao G20. Ele não pode deixar de ir porque o Trump disse para ele não ir. Vamos lá ver o que vai acontecer, se vão deixar ele entrar ou não."
Lula também abordou as recentes falas do presidente americano Donald Trump, que comunicou que não convidaria Ramaphosa para a próxima reunião do G20, prevista para novembro nos Estados Unidos, país que atualmente preside o fórum. Trump alega que o governo da África do Sul estaria promovendo políticas prejudiciais relacionadas a uma lei de reforma agrária e, por conta dessas alegações, suspendeu recentemente a ajuda financeira destinada ao país africano.
Na entrevista, Lula destacou que, caso estivesse na posição de Ramaphosa, participaria do G20 não como convidado, mas com a prerrogativa de membro fundador. O presidente brasileiro ressaltou que o G20 surgiu como resposta à crise financeira global de 2008, desencadeada no centro financeiro dos Estados Unidos, e que todos os 20 membros fundadores mantêm o direito de integrar o fórum.
Ao ser questionado por jornalistas na Alemanha, após reunir-se com o chanceler Friedrich Merz, Lula afirmou que as acusações feitas por Trump sobre um suposto "genocídio branco" na África do Sul não correspondem à verdade. O presidente brasileiro reforçou que Trump não possui autoridade nem legitimidade para impedir a participação de qualquer país do G20, o que enfraqueceria a credibilidade e a representatividade do grupo.
"Se vai tirar a África do Sul hoje, daqui a pouco vão tirar a Alemanha, depois vão tirar o Brasil. Se a gente não se juntar, dar as mãos, eles vão tirando um por um. Aqui não é o Conselho da Paz [criado e controlado por Donald Trump, presidente dos EUA]."
Lula está em viagem oficial pela Europa, já tendo passado pela Espanha e, após a visita à Alemanha, seguirá para Portugal antes de retornar ao Brasil.