O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou, neste sábado (18), a necessidade de mudanças na legislação trabalhista brasileira, especificamente a redução da jornada de trabalho e o término da escala 6x1, que prevê seis dias de trabalho para um de descanso. Em seu discurso no Fórum Democracia Sempre, realizado em Barcelona, na Espanha, o presidente enfatizou que o aumento da produtividade no ambiente de trabalho deve gerar benefícios equitativos, incluindo os cidadãos de menor renda.
"No Brasil, nós estamos discutindo o fim da jornada 6x1. Porque me parece que os ganhos tecnológicos, a sofisticação da produção, só vale o rico. Para o pobre, não vale nada, ou seja, ele não ganha porque aumentou a produtividade da empresa", observou.
A defesa dessas alterações ocorre dias após o governo federal encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei com essa finalidade. Diante de líderes latino-americanos e europeus, o presidente Lula argumentou que a manutenção do progresso social é essencial para evitar o descrédito da democracia junto à população.
"A democracia está perdendo credibilidade porque, muitas vezes, ela não deu resposta aos anseios da sociedade", ponderou.
Conforme o texto da proposta apresentada pelo governo federal ao Congresso, a iniciativa visa diminuir a carga horária máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais. O objetivo é assegurar aos trabalhadores dois dias consecutivos de descanso remunerado, sem que haja qualquer redução salarial. Com a implementação da medida, a jornada de trabalho passaria a ser de cinco dias de atividade para dois de descanso. A proposta tem recebido amplo apoio popular, apesar de enfrentar objeções por parte de segmentos empresariais.
O Fórum Democracia Sempre foi instituído em 2024 e engloba a participação dos governos do Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. O evento em Barcelona foi organizado pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez. Além dos anfitriões, o encontro contou com a presença de diversos chefes de Estado e líderes políticos, incluindo Yamandú Orsi, presidente do Uruguai; Gustavo Petro, presidente da Colômbia; Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul; Claudia Sheinbaum, presidente do México; e o ex-presidente do Chile, Gabriel Boric. No mesmo fórum, o presidente brasileiro também proferiu um discurso vigoroso contra os conflitos em curso no mundo, destacando a importância de fortalecer o multilateralismo nas relações internacionais.