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SP: Ato condena uso de escola pública para filme contra Paulo Freire

Professores, pais de alunos e parlamentares se reuniram na Praça Roosevelt para repudiar a produção da Brasil Paralelo.

18/04/2026 às 21:37
Por: Redação

Neste sábado (18), professores, pais de alunos, representantes sindicais e parlamentares reuniram-se na capital paulista para manifestar-se contra a utilização de uma escola infantil municipal como cenário para um filme. A obra, produzida pela Brasil Paralelo, é alvo de críticas por supostamente difamar a educação pública e o legado de Paulo Freire, patrono da Educação Brasileira.

 

O ato, configurado como uma aula pública, ocorreu na Praça Roosevelt, situada em frente à Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Patrícia Galvão (Pagu). Foi neste local que a produtora Brasil Paralelo realizou as gravações para seu futuro filme, intitulado Pedagogia do Abandono, que ainda não foi lançado.

 

A produtora, reconhecida por veicular conteúdos alinhados à extrema-direita, já enfrentou processos judiciais. Anteriormente, colaboradores foram tornados réus por envolvimento na produção de outro filme, A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha.

 

A Justiça do Ceará aceitou uma denúncia do Ministério Público estadual, implicando dois funcionários da empresa como réus sob suspeita de participação em uma campanha de difamação contra Maria da Penha, figura emblemática na luta contra a violência doméstica.

 

A diretora da Emei Patrícia Galvão, Sandra Regina Bouças, enfatizou a relevância do educador.

 

“A gente está aqui para dizer que Paulo Freire está presente. Ele está presente nas nossas escolas, nos nossos pensamentos, nos nossos estudos, e não só na EMEI Patrícia Galvão. Ele está presente na cidade toda, no Brasil a fora e fora do Brasil inclusive”, disse a diretora da Emei Patrícia Galvão, Sandra Regina Bouças.

 

Embora não tenha concedido entrevistas à imprensa, Sandra Regina Bouças divulgou uma carta em suas redes sociais onde expressou questionamentos sobre a produção. As filmagens foram autorizadas pela prefeitura de São Paulo.

 

Em sua manifestação, a diretora da escola revelou ter identificado que o projeto tinha como objetivo “destruir a educação pública, bem como a imagem de Paulo Freire com identificações muito equivocadas". Ela ainda ponderou se a iniciativa não seria uma tentativa de “contribuir com as ideias de que a terceirização/privatização da Educação Infantil seria a solução para uma educação de qualidade?”.

 

Na mesma carta, Sandra Bouças relatou que só tomou conhecimento da identidade da produtora, a Brasil Paralelo, na véspera das gravações. Ela disse: “Na noite anterior à data marcada para a gravação, fomos surpreendidas por um termo de anuência em nome da Brasil Paralelo." A diretora acrescentou que a empresa “era a produtora responsável por vídeos de caráter marcadamente ideológico, em que diversas produções têm por objetivo descaracterizar e objetificar o ensino público pejorativamente.”

 

Denise Carreira, professora da Faculdade de Educação da USP (FEUSP) e educadora popular, ressaltou que a produção visa enfraquecer políticas públicas de cunho social, racial e as pautas de gênero.

 

““Precisamos estar atentas contra esse absurdo. E defender a escola democrática, a escola que promova uma educação transformadora baseada no pensamento, na trajetória, na ação de Paulo Freire”, acrescentou.

 

Eduarda Lins, mãe de uma das crianças matriculadas na Emei, elogiou a equipe da escola e criticou tanto a produtora quanto a administração municipal. “Quando a gente descobre que a nossa prefeitura está disponibilizando um espaço público para uma empresa privada com fins, no mínimo, obscuros, que inclusive está sendo investigada pelo MP, dói no nosso coração”, afirmou.

 

Esclarecimento da Spcine

 

A Spcine, por sua vez, comunicou que o pedido de gravação foi recebido e, após a devida análise técnica da SP Film Commission, órgão encarregado de processar e encaminhar solicitações de filmagem, a autorização foi concedida.

 

O órgão explicou que este procedimento segue um padrão estabelecido, sendo idêntico ao adotado em outras 253 solicitações feitas ao município para essa finalidade somente em 2026. No ano anterior, foram autorizadas mais de mil gravações. A Spcine também enfatizou que a verificação de aspectos legais, como o uso de imagem e a participação de menores, é de total responsabilidade dos produtores do conteúdo.

 

A Agência Brasil tentou entrar em contato com a produtora Brasil Paralelo para obter um posicionamento, mas não obteve resposta até o momento da publicação desta matéria.

 

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