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Lula critica ameaças de Trump a outros países e defende respeito à soberania

Presidente destaca que liderança mundial exige responsabilidade e critica ameaças dos EUA ao Irã, Cuba e Venezuela

17/04/2026 às 00:02
Por: Redação

Durante entrevista concedida ao jornal espanhol El País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou críticas à condução da política externa dos Estados Unidos sob o comando do presidente Donald Trump, especialmente em relação a ameaças dirigidas ao Irã, Cuba e Venezuela. Lula apontou que nenhum país possui autorização para ameaçar outras nações com as quais discorde.

 

“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição americana não garante isso. E muito menos a carta da ONU [Nações Unidas]”, afirmou Lula.


 

Na avaliação do presidente brasileiro, faltam atualmente líderes globais dispostos a assumir a responsabilidade pela manutenção da paz internacional. Lula sugeriu que os países mais poderosos devem exercer maior responsabilidade nesse sentido, em vez de agirem de forma unilateral.

 

O chefe do Executivo brasileiro também mencionou casos recentes em que o presidente norte-americano teria ameaçado praticar crimes graves, como o genocídio, contra o Irã, caso o país asiático não aceitasse os termos dos Estados Unidos para encerrar o conflito no Oriente Médio.

 

“Nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país. Nenhum país tem o direito de não respeitar a soberania dos outros países”, completou.


 

Lula ainda enfatizou que, na conjuntura internacional atual, observa-se a ausência de lideranças políticas dispostas a assumir o compromisso de que o planeta não pertence a uma única nação. O presidente reiterou que, embora certos países tenham maior influência global, é fundamental que assumam responsabilidade adicional para garantir a paz mundial.

 

Conflitos internacionais e riscos para a paz global

 

No decorrer da entrevista, Lula abordou a possibilidade de uma escalada para um conflito mundial, caso a política de intervenções continue sendo praticada pelos Estados Unidos.

 

“Uma terceira guerra mundial será uma tragédia dez vezes mais potente do que foi a tragédia da Segunda Guerra Mundial”, disse.


 

Indagado sobre a chance real de um novo enfrentamento global, o presidente brasileiro declarou acreditar que tal cenário pode tornar-se realidade se perdurar a ideia de que líderes mundiais podem agir de forma arbitrária e agressiva em relação a outros Estados.

 

Restrições e bloqueio a Cuba

 

Lula condenou o bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos a Cuba, que se intensificou mesmo diante de um embargo econômico vigente há quase setenta anos. Para o presidente, o embargo não encontra justificativa plausível e resulta em prejuízos severos para a população cubana. Ele também questionou a falta de preocupação de países críticos ao regime cubano com a situação do Haiti, que enfrenta grave crise social e econômica e tem grande parte de sua capital, Porto Príncipe, sob o controle de grupos armados.

 

No entendimento do presidente brasileiro, Cuba necessita de oportunidades para superar suas dificuldades internas. Lula levantou dúvidas sobre a possibilidade de sobrevivência de um país impedido de receber insumos essenciais, como alimentos, combustíveis e fontes de energia.

 

Processo eleitoral e paz na Venezuela

 

Ao tratar da situação venezuelana, Lula afirmou que o governo brasileiro defende a realização das eleições previstas para julho de 2024 e o respeito ao resultado do pleito, como forma de viabilizar o retorno da paz no país vizinho. O presidente ressaltou que os Estados Unidos não devem tentar administrar os destinos internos da Venezuela.

 

Balança comercial e tarifas impostas pelos EUA

 

Referindo-se à política tarifária adotada pelos Estados Unidos sobre algumas exportações brasileiras entre abril e agosto de 2025, Lula relembrou a posição que comunicou diretamente ao presidente Trump em encontro anterior. Segundo Lula, não é necessário que haja concordância ideológica entre chefes de Estado, pois cada um deve priorizar os interesses de seu próprio país nas relações bilaterais.

 

Após negociações realizadas entre Brasília e Washington em novembro de 2025, houve a remoção da tarifa de quarenta por cento aplicada a diversos produtos brasileiros, incluindo café e carne. Já em fevereiro do ano seguinte, a Suprema Corte dos Estados Unidos anulou o conjunto de tarifas adotado pelo governo Trump contra dezenas de países, atendendo a solicitações de empresas norte-americanas que foram prejudicadas pelas restrições vigentes.

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