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Lula promete reciprocidade após saída de delegado brasileiro dos EUA

Presidente afirmou que Brasil responderá na mesma medida à expulsão de policial federal envolvido em caso nos EUA

21/04/2026 às 17:12
Por: Redação

Durante visita oficial à Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou sobre a decisão do governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, de solicitar a saída de um delegado da Polícia Federal brasileira de território americano, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

“Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, declarou Lula a jornalistas durante a agenda internacional.

 

O presidente também ponderou que o governo brasileiro busca a condução correta dos processos, mas não admite ingerências externas ou atitudes consideradas abusivas por parte de autoridades dos Estados Unidos em relação ao Brasil.

 

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira (20), que determinou a saída de um “funcionário brasileiro” do país. Embora a nota oficial não tenha mencionado o nome do servidor, a indicação é de que se trata de um delegado da Polícia Federal ligado à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

De acordo com a publicação feita pelo órgão americano na rede social X, a decisão foi baseada na alegação de que o delegado brasileiro teria tentado burlar os mecanismos formais de cooperação jurídica entre os dois países.

 

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso.”


 

Contexto da prisão e extradição de Ramagem

 

O ex-deputado Alexandre Ramagem foi detido pelo serviço de imigração americano na Flórida e permaneceu preso por dois dias, sendo libertado na quarta-feira (15). Ramagem foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e, em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no ano anterior, foi condenado a 16 anos de prisão por participação em tentativa de golpe, organização criminosa armada e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

 

Após a sentença, o ex-parlamentar perdeu o mandato e deixou o Brasil para evitar o cumprimento da pena, fixando residência nos Estados Unidos.

 

Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes expediu determinação para que fosse enviado pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos, processo conduzido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

 

Neste mês, a Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem ocorreu em decorrência de cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos, resultando na detenção do ex-deputado na cidade de Orlando.

 

Ramagem, segundo a Polícia Federal, permanece foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

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