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Santa Marta recebe conferência global para debater abandono de combustíveis fósseis

Evento reúne representantes de 60 países para discutir estratégias e cooperação climática

22/04/2026 às 19:22
Por: Redação

Delegações de aproximadamente 60 países, autoridades de governos locais, representantes de povos indígenas, integrantes de comunidades tradicionais, membros de organizações sociais, pesquisadores e diplomatas estarão reunidos na cidade de Santa Marta, na Colômbia, a partir desta sexta-feira, dia 24, para participar da primeira Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis.

 

O principal propósito do evento é coletar informações que possam embasar a formulação de um plano estratégico denominado Mapa do Caminho para uma transição energética, com o intuito de reduzir progressivamente a dependência global de fontes fósseis de energia.

 

Organizada pelos governos da Colômbia e da Holanda, a conferência foi projetada como um fórum para promover discussões aprofundadas em ambiente horizontal e democrático. Os organizadores esclarecem que o encontro não tem caráter de órgão de negociação, não integra processos ou iniciativas formais de negociação internacional e não possui a intenção de substituir a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC).

 

Durante o evento, os debates serão agrupados em três eixos temáticos: superação da dependência econômica dos combustíveis fósseis; transformação da oferta e da demanda energética; e incentivo à cooperação internacional e à diplomacia climática.

 

Está prevista ainda a instituição de uma coalizão de países comprometidos em iniciar ações concretas de transformação, a partir do intercâmbio de experiências e da implementação de medidas financeiras, fiscais e regulatórias em nível nacional.

 

A programação também inclui diálogos específicos para diferentes setores, o lançamento de um Painel Científico dedicado à Transição Energética e a realização de uma assembleia popular. Nos dias 28 e 29 de abril será promovida a Cúpula de líderes, que marcará o encerramento da Plenária Geral.

 

Estratégias brasileiras para a transição energética

 

O Mapa do Caminho representa uma proposta elaborada pelo Brasil em novembro de 2025, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada na cidade de Belém, no Pará.

 

Na ocasião, não houve consenso para que a discussão sobre o abandono dos combustíveis fósseis integrasse o documento final da COP30. Apesar disso, 80 países manifestaram apoio à construção de uma estratégia global para esse propósito.

 

O documento deve ser finalizado e apresentado até novembro, durante a realização da COP31 em Antália, na Turquia. Atualmente, o texto encontra-se em fase de elaboração, com a presidência brasileira da COP analisando as contribuições recebidas por meio de uma chamada pública internacional, encerrada em 10 de abril.

 

Cinco meses após sua apresentação, a proposta segue mobilizando o interesse de nações com participação significativa no mercado mundial de combustíveis fósseis, como Austrália, Canadá, México, Noruega e países da União Europeia. Entretanto, Estados Unidos, China e Índia já manifestaram que não pretendem aderir ao debate.

 

Mobilização social e desafios na Amazônia

 

Diversas organizações brasileiras apresentaram sugestões para o Mapa do Caminho, resultado de intensa mobilização social favorável ao projeto. As contribuições incluem demandas de povos indígenas e de redes que congregam centenas de instituições ambientais e sociais.

 

O especialista em Conservação do WWF-Brasil, Ricardo Fujii, avalia que a participação da delegação do Brasil na conferência em Santa Marta representa uma oportunidade para o país atuar de modo estratégico na busca por consensos e na concretização de iniciativas globais, convertendo-as em ações efetivas.

 

“Em um momento de instabilidade internacional, a liderança brasileira pode ajudar a articular esforços formais e informais, fortalecendo a cooperação climática e entregando respostas concretas para a sociedade”, diz.

 

A iniciativa de sediar a conferência na Colômbia, país integrante da região amazônica, também foi destacada por entidades sociais. Para a coordenadora de Oceanos do Greenpeace Brasil, Mariana Andrade, a escolha do local é simbólica, especialmente diante das atuais tentativas de exploração de petróleo na Foz do Amazonas, consideradas um alerta significativo para a região.

 

"Explorar petróleo e gás na Amazônia terá significativas consequências socioambientais locais e globais, já que o bioma é essencial para manter o equilíbrio climático do mundo. Em Santa Marta, esperamos que os países reforcem a urgência de barrar a expansão da indústria fóssil na Amazônia antes que os danos sejam irreversíveis", conclui.

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