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Trump negocia trégua de dez dias entre Israel e Líbano

Presidente dos EUA anuncia acordo para suspensão temporária de ataques entre os dois países

17/04/2026 às 04:08
Por: Redação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou nesta quinta-feira, 16, que mediou um acordo para instaurar um cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano, com início previsto para a noite desta mesma data.

 

O governo iraniano havia condicionado a continuidade de suas negociações com os Estados Unidos à implantação desta trégua.

 

Em relação à aceitação do acordo, o parlamentar do Hezbollah, Ibrahim al-Musawi, em declaração à agência de notícias francesa AFP, afirmou que o grupo está disposto a respeitar o pacto, desde que os ataques provenientes de Israel sejam interrompidos. Até o momento, as autoridades em Tel Aviv não emitiram posicionamento público.

 

“Acabei de ter excelentes conversas com o altamente respeitado presidente Joseph Aoun, do Líbano, e com o primeiro-ministro Bibi [Benjamin] Netanyahu, de Israel. Esses dois líderes concordaram que, para alcançar a paz entre seus países, iniciarão formalmente um cessar-fogo de 10 dias às 17h [horário de Brasília]”, disse Trump em uma rede social.


 

Segundo o chefe de Estado norte-americano, tanto Israel quanto Líbano demonstraram interesse em alcançar a paz e ele se mostrou otimista sobre um desfecho positivo em breve.

 

Apesar da participação do governo libanês no anúncio, ele não exerce controle sobre o Hezbollah, que atua como partido político e milícia, integrando o chamado Eixo da Resistência, bloco formado por grupos contrários às políticas dos Estados Unidos e de Israel no Oriente Médio, entre os quais está o Irã.

 

O presidente libanês, Joseph Aoun, informou por meio de comunicado oficial que manifestou agradecimento a Donald Trump pelos esforços conduzidos para a obtenção do cessar-fogo no Líbano e pelo empenho em garantir paz duradoura, destacando a expectativa de que o processo de negociação seja mantido para viabilizar um cessar-fogo permanente na região o quanto antes.

 

O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, utilizou suas redes sociais para parabenizar o anúncio feito por Trump.

 

“Acolho com satisfação o anúncio do cessar-fogo proclamado pelo presidente Trump, que constitui uma reivindicação libanesa central pela qual nos empenhamos desde o primeiro dia da guerra e que foi o nosso objetivo primordial no encontro de Washington na terça-feira”, disse.


 

Esta semana, representantes de Israel e Líbano se encontraram em Washington. Esta foi a primeira reunião direta entre as partes desde 1983, ano em que ocorreu a primeira invasão israelense ao território libanês.

 

Até o fechamento desta matéria, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre o acordo anunciado.

 

De acordo com informações do jornal israelense The Times of Israel, membros do gabinete israelense receberam a notícia do cessar-fogo com surpresa. Segundo essas informações, Netanyahu teria concordado com a trégua a partir de pedido feito por Trump. A oposição israelense criticou a decisão, classificando-a como um cessar-fogo "imposto" ao país.

 

Outro meio de comunicação de Israel, o Ynet, relatou que, segundo um militar do país, as tropas israelenses permaneceriam no território libanês mesmo com o cessar-fogo em vigor.

 

Contexto e antecedentes do conflito

 

A nova etapa do embate entre Israel e Líbano teve início em outubro de 2023, quando o Hezbollah passou a realizar ataques contra o norte israelense, como forma de solidariedade à população palestina, motivado pelos acontecimentos violentos na Faixa de Gaza.

 

Em novembro de 2024, foi firmado um acordo de cessar-fogo entre a organização xiita e o governo de Tel Aviv. No entanto, Israel não cumpriu o acordo e seguiu promovendo ataques em território libanês.

 

Com o início das hostilidades contra o Irã, em 28 de fevereiro, o Hezbollah retomou os ataques a Israel, justificando a ação como resposta às violações frequentes do cessar-fogo nos meses anteriores e em retaliação ao assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.

 

No dia 8 de abril, houve o anúncio de um cessar-fogo na guerra envolvendo o Irã. Entretanto, Israel manteve as ofensivas no Líbano, não cumprindo o acordo, que desta vez havia sido articulado pelo Paquistão.

 

O Irã reforçou a exigência de que o Líbano aderisse ao cessar-fogo como condição para prosseguir as tratativas diplomáticas com os Estados Unidos, sendo que a segunda rodada de negociações está prevista para os próximos dias.

 

Histórico dos confrontos entre Israel e Hezbollah

 

O embate entre Israel e o grupo Hezbollah remonta à década de 1980, período em que a milícia xiita foi criada em resposta à invasão e posterior ocupação israelense do território libanês, com o objetivo de perseguir grupos palestinos que buscaram refúgio naquele país.

 

No ano de 2000, o Hezbollah conseguiu retirar as forças israelenses do Líbano. Ao longo do tempo, a organização conquistou cadeiras no Parlamento libanês e passou a integrar composições de governo.

 

Desde então, o Líbano foi alvo de ataques israelenses nos anos de 2006, 2009 e 2011.

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