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Déficit nas transações externas do Brasil ultrapassa 6 bilhões de dólares em março

Saldo negativo nas contas externas em março é mais que o dobro do registrado no mesmo mês do ano anterior

24/04/2026 às 18:42
Por: Redação

Em março, o Brasil apresentou um déficit de 6,036 bilhões de dólares nas contas externas, conforme dados divulgados pelo Banco Central. Esse montante representa mais do que o dobro do saldo negativo registrado no mesmo mês do ano anterior, quando o déficit foi de 2,930 bilhões de dólares nas transações correntes.

 

As transações correntes englobam toda a movimentação de compras e vendas de mercadorias, prestação de serviços e transferências de renda entre o país e o exterior. O resultado divulgado para março reflete uma reversão na tendência dos meses anteriores, já que nos três meses anteriores o déficit vinha apresentando redução.

 

No acumulado de doze meses até março, o saldo negativo em transações correntes somou 64,274 bilhões de dólares, equivalente a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. No entanto, quando comparado ao mesmo período encerrado em março do ano anterior, o déficit foi menor, pois naquela ocasião o resultado negativo alcançou 74,383 bilhões de dólares, correspondendo a 3,47% do PIB.

 

Contribuíram para o aumento do déficit em março a diminuição de 1,6 bilhão de dólares no superávit da balança comercial de bens, em razão do avanço das importações, além da elevação de 1,1 bilhão de dólares no déficit de renda primária e de 600 milhões de dólares na conta de serviços.

 

Cenário dos investimentos e fluxos financeiros internacionais

O Banco Central destacou que, apesar do aumento do déficit em março, as transações correntes mantêm um quadro robusto, observando-se tendência de redução do saldo negativo em doze meses desde setembro do ano anterior. O órgão ressaltou que o déficit nas contas externas tem sido financiado por capitais de longo prazo, com destaque para os investimentos diretos no país, conhecidos como IDP, considerados de boa qualidade tanto em fluxos quanto em estoques.

 

Em março, os investimentos diretos no país totalizaram 6,037 bilhões de dólares, uma leve queda em comparação ao mesmo mês do ano anterior, quando atingiram 6,295 bilhões de dólares. A necessidade de cobrir déficits nas transações correntes geralmente é suprida por investimentos externos ou empréstimos, sendo os investimentos diretos preferíveis por se destinarem ao setor produtivo e possuírem horizonte de longo prazo.

 

No acumulado de doze meses até março, os investimentos diretos atingiram 75,660 bilhões de dólares, correspondendo a 3,18% do PIB. Esse valor ficou abaixo do registrado no mês anterior, de 75,918 bilhões de dólares, ou 3,24% do PIB, e do volume de 74,078 bilhões de dólares (3,45% do PIB) verificado nos doze meses encerrados em março do ano anterior.

 

A respeito dos investimentos em carteira no mercado doméstico, o mês de março registrou uma saída líquida de 2,867 bilhões de dólares, fundamentalmente em títulos de dívida. No acumulado de doze meses até março, os ingressos líquidos nesse segmento totalizaram 28,4 bilhões de dólares, ante 29,5 bilhões de dólares nos doze meses encerrados em fevereiro e saídas líquidas de 6,8 bilhões de dólares no período até março do ano anterior.

 

As reservas internacionais somaram 362,002 bilhões de dólares ao final de março, apresentando uma redução de 9,072 bilhões de dólares em relação ao mês anterior.

 

Movimentação comercial e contas de serviços

Em março, as exportações de bens alcançaram 31,738 bilhões de dólares, crescimento de 9,5% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. As importações, por sua vez, somaram 26,118 bilhões de dólares, o que representa um aumento de 19,9% sobre março do ano anterior.

 

O saldo da balança comercial em março ficou positivo em 5,620 bilhões de dólares, um desempenho melhor em relação ao saldo negativo de 7,219 bilhões de dólares observado em março do ano anterior.

 

A conta de serviços, que inclui despesas com viagens internacionais, transporte, aluguel de equipamentos, serviços de telecomunicação e propriedade intelectual, registrou déficit de 4,785 bilhões de dólares em março, comparado a 4,216 bilhões de dólares no mesmo mês do ano anterior.

 

No mesmo período, o déficit em renda primária — que abrange pagamentos de lucros, dividendos, juros e salários — atingiu 7,384 bilhões de dólares, representando um aumento de 17,8% frente ao resultado de março do ano anterior, que foi de 6,267 bilhões de dólares. Essa conta tradicionalmente apresenta saldo negativo, uma vez que há maior volume de investimentos estrangeiros no Brasil, resultando em remessa de lucros ao exterior superior aos investimentos de brasileiros fora do país.

 

A categoria de renda secundária, relacionada a transferências de recursos entre economias, como doações e remessas de dólares sem contrapartida de bens ou serviços, apresentou superávit de 512 milhões de dólares em março, valor superior ao saldo positivo de 335 milhões de dólares registrado em março do ano anterior.

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