O Tribunal de Justiça de São Paulo estabeleceu que o Estado de São Paulo deverá pagar uma indenização no valor de 258 milhões de reais, como reparação por danos morais coletivos e por práticas de tortura cometidas contra pessoas privadas de liberdade no Anexo de Semiaberto da Penitenciária de Presidente Prudente, localizada no interior paulista.
Esse montante será transferido para o Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos (FID), que tem como finalidade apoiar políticas públicas voltadas a interesses coletivos.
A decisão partiu da juíza Tainá Passamani Correa, da 1ª Vara da Fazenda Pública, após análise de pedido feito pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo.
No processo, a magistrada declarou que houve extrapolação do uso legítimo da força por parte dos agentes públicos, resultando em violação à integridade física e moral dos indivíduos sob custódia do Estado. O trâmite deste processo ocorre sob segredo de Justiça.
Em 2023, a Defensoria Pública paulista e a organização não governamental Conectas Direitos Humanos apresentaram a mesma denúncia ao Comitê Contra Tortura da Organização das Nações Unidas. Esse episódio corresponde ao primeiro caso brasileiro aceito pelo Comitê da ONU.
Os fatos investigados aconteceram em 28 de setembro de 2015, durante operação de revista realizada por agentes do Grupo de Intervenção Rápida (GIR), vinculados à Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo.
De acordo com a denúncia, aproximadamente 240 detentos foram submetidos a revista geral com violência física e psicológica, além de terem sido vítimas de atos de tortura por cerca de duas horas e meia.
Os relatos indicam que os agentes entraram na unidade prisional e, mesmo sem encontrarem resistência por parte dos internos, agiram com violência desproporcional, utilizando socos, chutes e golpes com cassetetes. Além disso, há informação sobre uso de balas de borracha contra a população carcerária.
A Procuradoria-Geral do Estado informou que ainda não foi notificada oficialmente sobre a decisão judicial. O Núcleo Especializado de Situação Carcerária da Defensoria Pública confirmou ser o responsável pela ação, porém declarou que não irá comentar o conteúdo dos autos visto que o processo está sob segredo de Justiça, visando preservar a intimidade das vítimas.
Informações recentes apontam que as unidades prisionais do estado de São Paulo enfrentam condições insalubres, o que tem contribuído para o elevado número de mortes de presos nessas instituições.
Dados do Núcleo Especializado de Situação Carcerária (NESC) da Defensoria Pública indicam que, entre 2015 e 2023, foram registradas 4.189 mortes em presídios paulistas, resultando em uma média anual de 500 óbitos nessas unidades.